Sem Metáforas

SEM METÁFORAS
(André L. Soares)
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A gente pode prosseguir blefando
que o mal será curado com falsa democracia;
que eleição e referendo são remédios eficazes;
que Deus é brasileiro e essa nação tem bom futuro
e que a moral religiosa aponta mesmo uma saída...
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A gente pode continuar mentindo
que a corrupção se estancará pela via do Direito;
que bem distribuir renda se faz com negociação;
que não derramar sangue torna todos mais felizes
e que se faz revolução sem que haja algumas perdas...
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A gente pode dizer se equivocando
que o narcotráfico está sendo mesmo derrotado;
que as garras das máfias não se apossaram do Estado;
que somente a educação vence injustiça social
e que é mesmo construtivo o que chamamos de mídia...
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A gente pode persistir se iludindo
que se deve acatar a ‘banda podre’ da polícia;
que a morte não é cura exata para os crimes políticos;
que humanismo recupera estuprador e assassino
e que nossa covardia nos faz um povo especial...
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A gente pode ir avante se enganando
que basta fechar os olhos ao que sofre o vizinho;
que o povo não pode assumir o controle de um país;
que se pode viver bem negando a guerra civil
e que ninguém quer ver cortado esse mal pela raiz.
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A gente pode até deixar que as elites roubem tudo;
a gente pode ser passivo e até mentir que é cristão;
a gente pode até viver em um nível subumano.
Mas até quando?!
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O poema acima é de autoria de André L. Soares, que gentilmente permitiu seu uso. Lei Federal n. 9.610/98 – Respeitem os direitos autorais.

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